<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842717237571502021</id><updated>2011-07-30T15:06:07.107-03:00</updated><title type='text'>Ponto de Fuga</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://ponto-fuga.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842717237571502021/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponto-fuga.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Deh Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00158842229519911437</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>2</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842717237571502021.post-2180812964257503655</id><published>2009-08-07T15:21:00.001-03:00</published><updated>2009-08-10T19:15:45.247-03:00</updated><title type='text'>Memória esfumaçada</title><content type='html'>Sempre fui fumante. Passivo. Não tive escolha. Quando criança, um tio meu fumava compulsivamente dentro de casa. Como meus pais não são tabagistas, ele transformou o banheiro em fumódromo. Não precisa dizer que o ar no ambiente ficou insuportavelmente asfixiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de ainda pirralho, reclamava. Coisa de criança marrenta, daqueleas que se soubesse falar mandaria o médico tomar no cu ao tomar a primeira palmada após o nascimento. O fato é que o vício me incomodava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À época, morava na Bahia, onde nasci. Mudamos para São Paulo. Meu tio ficou na terrinha. Tempos depois, seguiu o mesmo caminho de minha família, imagino que dando muitas baforadas dentro do ônibus de viajem, que na ocasião demorava aproximadamente três dias pra cumprir o percurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele veio morar novamente na minha casa. De novo o banheiro se transformou em fumódromo, mesmo com um quintal e o universo inteiro lá fora à disposição para dissipar a fumaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o aprendizado da escrita, acentuaram-se em mim os traços de rebeldia. Já que falar e reclamar não adiantava, fui pro ataque com cartazes que espalhei pelos modestos três cômodos do cubículo onde habitávamos: “Favor, não fumar”; “proibido fumar” etc. O primeiro, já na porta de entrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os visitantes estranhavam. Perguntavam aos meus pais se aquilo era obra deles. “Não, é meu filho”, informavam, apontando para baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou, meu tio se mudou, os cartazes sumiram. Eu cresci, virei adolescente. O cigarro virou moda entre os amigos, mesmo aqueles que na infância juravam jamais aderir ao tabagismo. E eu, sempre fumante passivo. Pero no mucho, sempre reclamei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempos depois, eu já adulto, meu tio voltou para São Paulo. O pirralho já estava bem maior do que ele. Ficou uns tempos em casa. Mas dessa vez não precisei colocar cartazes para que ele fosse fumar no quintal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria a última vez que nos veríamos. Mal pudemos conversar. E não foi por falta de tempo. Um câncer que atingiu sua garganta exigia dele grande esforço para falar. Um tumor gigantesco formava um enorme caroço em seu pescoço. Tinha vindo a São Paulo em busca de tratamento. Em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curioso que, apesar das desavenças em torno do cigarro, era um dos tios que eu mais gostava. Com ele tomei meus primeiros goles de cerveja. Aprendi a acompanhar a rodada esportiva do fim de semana. Lia as revistas Placar que comprava etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fui à cidade de Bom Jesus da Lapa, onde nasci, passei no boteco que ele tinha, próximo à zona da cidade. Eu ainda era adolescente e passei a maior parte das tardes tomando cerveja e jogando conversa fora com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na última vez que nos vimos, fui levá-lo até a rodoviária do Tietê. Nos despedimos com um abraço. Na volta pra casa, não pude conter as lágrimas. Tempos depois recebemos a notícia de sua morte. Tinha quarenta e poucos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou contra o fumante. Pelo contrário, defendo ardorosamente o direito de a pessoa utilizar qualquer substância que queira em seu corpo. Mas não posso deixar de lamentar o mal que fazem a si e aos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como boêmio - e não fumante - por ocasião da entrada em vigor da Lei Antifumo em São Paulo tenho a lamentar apenas uma coisa: o que deveria ser uma questão de educação, tenha de ser imposto por lei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842717237571502021-2180812964257503655?l=ponto-fuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponto-fuga.blogspot.com/feeds/2180812964257503655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4842717237571502021&amp;postID=2180812964257503655' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842717237571502021/posts/default/2180812964257503655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842717237571502021/posts/default/2180812964257503655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponto-fuga.blogspot.com/2009/08/memoria-esfumacada.html' title='Memória esfumaçada'/><author><name>Deh Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00158842229519911437</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4842717237571502021.post-1523168366313917380</id><published>2009-08-03T17:01:00.002-03:00</published><updated>2009-08-05T14:05:59.609-03:00</updated><title type='text'>Ódio sincero</title><content type='html'>Cena explícita de ódio sincero. Em uma festa no domingo (2), uma amiga de um amigo conversava comigo e, repentinamente, disse: "a primeira vez que te vi, não gostei de você". Sinceridade peculiar de quem já está sob efeito de álcool. Bom, melhor que amor fingido, pensei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrisquei perguntar o motivo da repulsa. "Algumas opiniões suas", disse. Quais? "Não lembro". Lembrava apenas que era a única mulher em um grupo que só tinha homens em um bar, quando cheguei no boteco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À primeira vista, talvez tivesse tomado por verdadeiras, algumas brincadeiras que costumo fazer com a cara mais séria do mundo. Quem me conhece bem sabe que profiro as maiores besteiras sem mudar a feição. Chamem de cinismo, se quiserem. São pequenas provocações, das quais também sou vítima. Puro deboche para matar o tempo e fazer os amigos dar risadas, enquanto mantenho meu riso interno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o ódio cega, dizem. Não tenho dúvidas, e admito que ele nos persegue. Impossível viver sem odiar. Não precisa ser alguém, pode ser qualquer coisa. E não me venham com o velho chavão de que amor e ódio andam juntos. Nem sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ódio é retroalimentável. É como aquela música chata que você não gosta, mas cuja letra insiste em ficar na sua memória. Quanto mais se lembra da porra da música, mais ódio se sente. E parece impossível abstrair, mudar de estação, pensar em outra coisa, o cacete. Você se distrai e lá vem aquele refrão chato de novo à mente. Acho que todo mundo já passou por isso. Ou só loucos como eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à minha "odiadora" circunstancial, o ódio não cegou, causou amnésia. As únicas coisas que conseguiu lembrar foi de algo que eu disse sobre o Kaká - a quem não admiro nem futebol, nem a carolice evangélica. Menos ainda a dita beleza. Pior que ela nem é fã do jogador. No mundo futebolístico prefere o português Cristiano Ronaldo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora isso, ela se recordava que ficou com mais ódio ainda quando me encontrou em outra ocasião, à época acompanhado da namorada (a minha, não a dela). "Lembro que ela era bonita. Tinha uns olhos verdes". E acrescentou: "pior é que a menina era legal". Talvez por isso seja ex, pensei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4842717237571502021-1523168366313917380?l=ponto-fuga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://ponto-fuga.blogspot.com/feeds/1523168366313917380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4842717237571502021&amp;postID=1523168366313917380' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842717237571502021/posts/default/1523168366313917380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4842717237571502021/posts/default/1523168366313917380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://ponto-fuga.blogspot.com/2009/08/odio-sincero.html' title='Ódio sincero'/><author><name>Deh Oliveira</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00158842229519911437</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
